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Cruz de Malta

Por evocar as grandes navegações portuguesas, a cruz sempre esteve presente nos símbolos do Vasco.
A cruz que se popularizou chamar como “de malta” guarda pouca semelhança com a original que teve origem na Ordem dos Hospitalários, depois Ordem de Malta, em Jerusalém.

Na verdade a cruz que se buscava representar era a que as caravelas e naus portuguesas ostentavam: a Cruz de Cristo, símbolo da Ordem de Cristo, que foi criada em Portugal no século 14. Essa cruz é caracterizada por ter uma cruz grega branca sobreposta com a cruz vermelha que lhe serve de campo. Uma cruz exatamente igual a essa é encontrada no primeiro escudo do Vasco, datado de 1903 e no segundo, da década de 20.

Cruz Antiga

No entanto, nos uniformes dos remadores da mesma época, a cruz presente não é a Cruz de Cristo, e sim uma variação desta que não possui a cruz grega no seu interior, sendo totalmente vermelha e mantendo o mesmo formato. É essa cruz utilizada na maioria dos uniformes vascaínos até a década de 60.

Cruz Atual

É quando surge no uniforme a Cruz Pátea, que pode ser encontrada na camisa do Vasco até hoje. Porém a cruz que possui seus braços curvados já podia ser vista na bandeira do clube de 1945 e, curiosamente, era essa a cruz que Fausto, e todo o time campeão carioca de 1934, carregava no peito.

Portanto, a cruz vascaína, sempre chamada de Cruz de Malta por sua torcida, assumiu várias formas ao longo do tempo, mas nunca deixou de ser o que sempre foi: o símbolo maior do Club de Regatas Vasco da Gama.

 

Camisa

Primeira Camisa

A primeira camisa do Vasco, adotada pelo remo, era preta com gola e larga faixa branca, tendo a cruz de malta centralizada.

 Segunda Camisa

No futebol, dentro do contexto histórico da criação desse departamento no clube, a primeira camisa seguiu o padrão da Seleção portuguesa que esteve no Rio de Janeiro em 1913 e a do Lusitânia, com qual o Vasco se fundiu em 1915. A camisa era preta, com gola e punhos brancos, tendo a cruz de malta no lado esquerdo do peito. [1]

 Terceira Camisa

Na década de 30, é adotada a camisa branca com a faixa preta, que nada mais era do que o mesmo modelo de camisa usado pelo Vasco desde a sua fundação como clube de remo, e que foi incorporada definitivamente a partir de 1943, junto com a sua variação preta com a faixa branca. É esse o modelo, sempre com as modificações que cada época exige, utilizado desde então. [2]

Terceiro Uniforme

Em 2001, o Vasco estréia o terceiro uniforme, que não faz parte da coleção atual, inspirado nos antigos “camisas-pretas”.

 

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[1] O motivo do futebol vascaíno ter tido uma camisa diferente do remo é devido ao conservadorismo de alguns homens do remo para com o futebol, fenômeno também visto no Flamengo, que inclusive adotou da mesma maneira uma camisa diferente para cada esporte, e mais tarde no Botafogo, quando o clube de futebol se fundiu com o de regatas. Em todos esses casos, a adoção do futebol em um clube de regatas foi combatida por gente do remo. No Vasco a criação do departamento de futebol foi polêmica e teve oposição do maior nome político da época, Alberto de Carvalho.

Por tudo isso, é natural que houvesse a distinção no uniforme, porém essa "separação" apenas residia no pensamento de poucos, notadamente dirigentes do remo que receavam pela perda financeira e de prestígio de seu esporte, não se refletindo nas atitudes dos torcedores da época, que torciam com igual fervor tanto na terra como no mar, e há pelo menos um caso de atleta que competiu tanto no remo como no futebol, o autor do primeiro gol vascaíno Adão Brandão.

 

[2] Infelizmente se popularizou a lenda de que o Vasco teria se inspirado e copiado a camisa do River Plate quando o uruguaio Ondino Viera foi contratado para ser o treinador do clube em 1942. Tal mentira é tão amplamente difundida que já se tornou quase um fato, repetido até pelos torcedores do Vasco. Porém, em nome da verdade, é bom frisar que a primeira camisa do clube, como aqui foi dito, já tinha a faixa diagonal, ainda que ela fosse somente usada pelo remo, afinal o futebol só seria adotado pelo Vasco muito tempo depois. Sendo o Vasco fundado em 1898 e o River Plate somente em 1901, a lenda da camisa copiada do River é claramente falsa. Na foto ao lado, remadores do Vasco no mesmo ano em que o River foi fundado.

Uma nova variação dessa lenda foi inventada pelos torcedores do Fluminense quando seu clube lançou um terceiro uniforme com a faixa diagonal. Segundo eles, esse uniforme do time das Laranjeiras remonta ao ano de 1907 e que por isso o Vasco que os teria copiado. Essa bobagem consegue ser mais patética que a primeira, porque é quase impossível que os fundadores do clube argentino tenham se inspirado no Vasco, que em 1901 apenas começava a sua tragetória gloriosa. Mas os tricolores, ao contrário, conheciam bem o Club de Regatas Vasco da Gama, que em 1907 era o principal e mais vitorioso clube de remo da cidade, esporte esse que não encontrava rival em popularidade, já que o futebol no Brasil apenas iniciava seus passos.

 

Escudo

 

O primeiro escudo vascaíno foi criado na administração do presidente Alberto de Carvalho Silva, em 1903.


 

 

Na década de 20, já com o formato circular abandonado, aparece a faixa e as iniciais do clube entrelaçadas.

 

 

 

 

 

O escudo atual do Vasco é a modernização do antigo, ocorrida na década de 70.

 

 

Bandeira


A primeira bandeira do Vasco, ou “pavilhão” como se chamou durante muito tempo,tinha a faixa na horizontal e as iniciais do clube no canto superior. Segundo o ex-presidente Castro Filho a cor negra representa os mares desconhecidos enfrentados pelo Almirante Vasco da Gama e a faixa branca assinala a rota vencida pelo navegador.

 

Em data desconhecida, a faixa da bandeira é colocada na diagonal e as inicias suprimidas. Outra mudança é feita com a colocação de uma estrela em 1945.

 

 

 

 

 

A bandeira vascaína atual segue o padrão da anterior, tendo como únicas modificações as estrelas colocadas ao longo do tempo.

 

 

 

 

 

A flâmula do Vasco é preta com uma listra branca ao centro, tendo a cruz de malta e as iniciais do clube divididas na parte superior e inferior.
Hino

HINO TRIUNFAL DO VASCO DA GAMA

Compositor: Joaquim Barros Ferreira da Silva

Esse hino, datado de agosto de 1918, é o primeiro do Vasco. Composto pelo poeta Joaquim Barros Ferreira da Silva, coube ao vice-presidente Raul Ferreira a tarefa de apresentá-lo a diretoria. Na gravação de 1930, o cantor de sotaque lusitano entoa a música que embalava as primeiras vitórias do Vascão.

Ouça o Hino




Letra:

Clangoroso apregoa, altaneiro
O clarim estridente da fama
Que dos clubes do Rio de Janeiro
O invencível é o Vasco da Gama

Se vitórias já tem no passado
Glórias mil há de ter no porvir
O seu nome é por nós adorado
Como estrela no céu a fulgir!

Avante então
Que pra vencer
Sem discussão
Basta querer
Lutar, lutar
Os vascaínos
De terra e mar
Os paladinos

É mundial
A sua fama
Vasco da Gama
Não tem rival
Mais uma glória
Vai conquistar
Lutar, lutar
Para a vitória

Sobre os peitos leais, vascaínos
Brilha a Cruz gloriosa de Malta
Corações varonis, leoninos
Que o amor pelo Vasco inda exalta, exalta

Quando o Vasco em qualquer desafio
Lança em campo o seu grito de guerra
Invencível, nervoso arrepio
Faz tremer o rival e a terra!

Avante então...

Sempre o Vasco venceu quando quis
Quer em terra, ou ainda no mar
Nunca o Vasco baixou a serviz

Viva, pois, nosso Vasco da Gama
Nosso clube leal, valoroso
Tudo o diz, assegura e proclama
Nosso Vasco é o mais glorioso

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MEU PAVILHÃO

Compositores: João de Freitas e Ernani Correia

Esse hino substitui o primeiro em algum ponto da década de 30 ou 40, pois no cinqüentenário do clube ele já era o oficial. Curiosamente parte da melodia de introdução é um trecho de La Marseillaise, o hino francês. Na gravação: o time campeão brasileiro de 1974.

Ouça o Hino


Letra:

Vasco da Gama evocas a grandeza
Daqui e d'além mar
Teu pavilhão refulge de beleza
Perene a tremular!

Dos braços rijos de teus filhos
O mar sagrou-te na história!
Reflete pelos céus em forte brilho
O sceptro que ostentas da vitória!

Na cancha és o pioneiro!
És o mais forte entre os mil!
Com a fama que ecôa no estrangeiro
Elevas o esporte do Brasil!

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HINO DO VASCO

Compositor: Lamartine Babo

O hino consagrado pela torcida do Vasco foi composto, juntamente com os de outros clubes do Rio, por Lamartine Babo na década de 40.

Ouça o Hino


Letra:

Vamos todos cantar de coração
A Cruz de Malta é o meu pendão
Tu tens o nome de um heróico português
Vasco da Gama, a tua fama assim se fez

Tua imensa torcida é bem feliz
Norte e sul, norte e sul deste país
Tua estrela, na terra a brilhar
Ilumina o mar

No atletismo és um braço
No remo és imortal
No futebol és o traço
De união Brasil-Portugal

 

O Casaca

O grito de guerra que é ouvido a cada vitória vascaína também é um dos símbolos do Vasco.

Ao Vasco nada?
Tudo!
Então como é que é que é que é?

Casaca! Casaca!
Casaca, zaca, zaca!
A turma é boa!
É mesmo da fuzarca!
VASCO! VASCO! VASCO!

Ouça o Casaca.



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Pela Wikipedia há duas versões para a origem do grito.

Segundo Feliciano Peixoto, o "Ramona", ex-remador do Vasco e integrante da turma da Fuzarca:

Na década de 1920, alguns clubes que disputavam os campeonatos de regatas - Internacional de Regatas, Boqueirão e Vasco da Gama - ainda não possuíam sede própria. Seus atletas se reuniam na rua. Como não tinham local para se encontrar, os atletas de remo e natação da época eram identificados como grupos. Cada grupo recebia uma denominação. Assim é que o Internacional de Regatas criou o Grupo dos Lindos. Para não ficar atrás, o Boqueirão denominou sua turma de Grupo das Garrafas e no Vasco surgiu o Grupo dos Supimpas.

Os integrantes do Grupo dos Supimpas, como todos os outros, jovens, começaram a promever reuniões festivas que se chamavam "reco-reco" e seus participantes ficaram conhecidos como turma da Fuzarca. Fuzarca significa simplesmente farra.

A turma da Fuzarca foi crescendo, se ampliando e ganhando vida própria. Os Sumpimpas resolveram criar concursos de natação, remo e polo aquático, além de outras festinhas para reunir o pessoal. Foi construída uma quadra de vôlei, em um terreno localizado na rua México, no Centro, onde passou a se reunir a nata do remo, da natação e do pólo aquático do Rio.

Sempre, após os treinos, lá iam eles para quadra de vôlei, onde praticavam esse esporte e se divertiam. Tornaram-se tão amigos todos eles, que muitos foram se transferido para o Vasco, após a construção de São Januário.
Havia um outro motivo que os reunia, além do remo, da natação e do pólo aquático: as lindas praias da época, como o Calabouço e, principalmente, a praia das Virtudes, a mais concorrida.

Na praia do Calabouço, o Vasco e os clubes reuniam seus atletas para competir. Na praia das Virtudes, que ficava em frente à Santa Casa de Misericórdia e à Igreja Santa Luzia, se concentravam jovens do Centro, da Cidade Nova, da Lapa, de Santa Tereza e adjacências.
Havia um animador que ficava na beira da praia e era um verdadeiro sucesso entre os jovens. Era Claudionor Provenzano, que realizava entre outras promoções banhos de mar a fantasia.

O grupo aquático Os Supimpas se fazia presente sempre. Seus integrantes desfilavam com o corpo todo pintado. A turma da Fuzarca, já em grande número, se divertia muito, enquanto o bloco dos Supimpas ia dançando e cantando. Essas festas se arrastavam pelo ano, mesmo fora de épocas como a do Carnaval.

Os Supimpas desfilavam da quadra de vôlei na México até a Praia das Virtudes. Ali, foi introduzido o Casaca para fazer rima com Fuzarca, exatamente na quadra de vôlei, cantado pelos remadores. Os próprios atletas divulgavam o grito das animadas festas da praia.

Dos dias de carnaval para as competições, o grito de guerra de um grupo de atletas do Vasco foi tomando conta de todos os locais onde o Vasco disputava competições.

Passou a acompanhar as competições e os jogos de futebol. Inicialmente, o grito de Casaca era puxado por Francisco Vieira Salinas, o "Bambu", acompanhado pelos três outros sócios da turma da Fuzarca : Carlos Martins dos Santos, o "Carlinhos", Mário Muto, o "Cocó", e o próprio "Ramona", ou Feliciano Peixoto.

Bambu iniciou e outros atletas foram seguindo, além dos sócios da turma da Fuzarca. Ao terminar as festas, encerradas as músicas, os cantos e as danças, todos puxavam o Casaca, que passou a ser uma espécie de hino às vitórias. Dos quatro sócios iniciais, a turma da Fuzarca foi ganhando participação maciça dos atletas e torcedores.

O futebol começava a dar largas passadas rumo ao sucesso e ao crescimento como esporte de massa. Ganhava adeptos dentro e fora do campo. Logo os vascaínos se encarregaram de transportar o Casaca da rua e das competições de esporte amador para os estádios.

Segundo Mario Lamosa, ex-remador:

Os remadores do Vasco eram jovens que gostavam de frequentar festas. Um belo dia numa festa com traje a rigor, os atletas, depois de terem bebido muito, começaram a tirar seus paletós (casacas) e gritar "casaca". Logo os vascaínos da turma da fuzarca emendaram casaca com turma da fuzarca, e o grito foi se formando. A partir daí tornou-se o grito das vitórias do Vasco nos campeonatos de remo, e depois em todas as modalidades.

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