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| Porque sou vascaíno - Por Murilo Melo Filho |
| Porque sou vascaíno - Por Murilo Melo Filho |
___________________________________________ Eu mesmo não sei porque sou vascaíno desde criança, afinal de contas, são remotos os meus ancestrais portugueses. Quando comecei a torcer pelo Vasco, aí pêlos idos de 1945, lá em Natal, era talvez o único (ou um dos poucos) vascaínos da cidade. E já naquele tempo, quando comecei na vida de jornalista, iniciei-a com o pseudónimo de Cruzmaltino", com oqual escrevia uma coluna por semana no velho e tradicional jornal "O Diário": todas as segundas-feiras após ouvir exaustivamente todos os noticiários radiofônicos da véspera, nos domingos, eu publicava um comentário sobre os vários campeonatos estaduais. Ainda hoje me ressoa aos ouvidos o som daqueles locutores que chegavam ao meu precário rádio, lá em Natal: Ari Barroso, Gagliano Neto, António Cordeiro, Mário Provenzano, Oduvaldo Cozzi. A primeira formação do time vascaíno que me acode era: Rei; Baroto e Itália; Oscarino; Zarzur e Calocero; Lindo, Alfredo, Niginho, Feitiço e Luna. Eles eram os legítimos sucessores de outro time inesquecível, o primeiro campeão de Terra e Mar: Jaguaré; Brilhante e Itália; Tinoco, Fausto e Mola; Pascoal, 84, Russinho, Mário e Santana. Muitas outras formações se sucederam. Algumas de menor êxito. Outras de maior sucesso. Umas derrotadas e esquecidas. Outras campeãs e famosas. Entre estas: Barbosa; Augusto e Rafanelli; Eli, Danilo e Jorge; Friaça, Maneca, Ademir, Ipojucan e Chico. O "Expresso" e o"Expressinho da Vitória"; Ciro Aranha, Arthur Pires, Ondino Viera, Zezé Moreira, Domingos da Guia, Tesourinha, Lelé, Djalma, Alfredo, Wilson, Nestor, Sampaio, Dimas, Jair, Isaías, Argemiro, Berascochéa, Sabará, Dejair, Wilsinho, Zé Mário, Paulinho, Abel, Orlando, Geraldo, Zanata, Marco António, Pinga, Bellini, Coronel, Mazinho, Donato, Zé do Carmo, Daunto, Emeal, Villadoniga, Mazzaropi, Laerte, Andrada, Renê, Alcir, Bugie, Valfrido, Quinhonez, Gilson Nunes, Acácio, Ernani, Silva, Fidelis, Vivinho, Titã, Waldemar, Roberto Pinto, Écio, Henrique, Moisés, Miguel, Alfinete, Dirceu, Ramon, Jorginho Carvoeiro, Luis Carlos, Heleno, Santo Cristo, Rodrigues, Roberto Dinamite, até estes craques mais recentes chamados Bebeto, Romário, Giovani, Bismarck, Eurico Miranda e António Soares Calçada. Todos eles são nomes que povoaram a minha vida, ao longo de todos estes anos. Pois quase metade desses 95 anos de existência do Vasco eu os acompanhei dia-a-dia. Às vezes, de longe. Não raro mais de perto. Vivi os seus momentos de desalento e de tristeza: as carteiras de sócio, rasgadas e atiradas dentro do campo. Vibrei com as suas vitórias e alegrias: casaca, saca, saca, a turma é boa, é mesmo da fuzarca. Vascooooo! Só que até hoje não descobri por que sou vascaíno desde criança.
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