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Me ufano por ser vascaíno - Por Nélson Sargento
Me ufano por ser vascaíno - Por Nélson Sargento

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Corria o ano de 1934. Eu tinha dez anos de idade e nesta cidade do Rio de Janeiro só se falava no glorioso Club de Regatas Vasco da Gama. A partir daí, sempre que me perguntavam qual era o meu time, eu respondia sem titubear: “Sou Vasco!”

Mais tarde, fiquei sabendo que no ano em que nasci – 1924 – o Vasco havia sido o campeão carioca. Naquela época, o Vasco da Gama foi o primeiro clube onde o racismo não se fez presente. A equipe campeã tinha vários atletas negros, o que fez com que tentassem até tirar o título do Vasco. Felizmente, não tiveram sucesso nessa manobra discriminatória.

Tenho orgulho de torcer por um clube onde a discriminação racial e social jamais se fez presente. A cruz de malta é, e sempre foi, o meu pendão.

Para o esporte brasileiro, o Vasco sempre desempenhou um papel de suma importância. Historicamente, o clube sempre foi um lugar onde os atletas têm todas as condições de desenvolver suas habilidades. Vários craques, de todos os esportes, foram formados aqui. Na década de 50, numa enquete feita aqui no Rio para escolher um clube para enfrentar o esquadrão do Real Madrid, com o grande Di Stefano, o escolhido foi o Vasco. O jogo foi realizado no Maracanã e acabou em um empate em 1 x 1.

Em 1948, o Vasco se tornou o primeiro – e até hoje único – clube “Campeão dos Campeões”. Para um torcedor que acompanha o Vasco há tanto tempo como eu, é impossível falar do nosso clube sem lembrar do fabuloso Expresso da Vitória, que tantas alegrias deu a nós vascaínos. Durante vários anos, aquele time formado, entre outros, por Maneca, Friaça e Ademir, foi a base da seleção brasileira.

Ao longo dessas décadas, vi jogadores fabulosos passarem pelo Vasco. Me lembro de Livinho, que foi peça fundamental na conquista do título de campeão carioca de 1956, sob o comando do técnico Martim Francisco. O Livinho era conhecido como “bode-maluco”, porque corria feito um louco de um lado para o outro. Mas eu acho que de louco não tinha nada; esta corrida abria espaço para os atacantes, já que o seu marcador também corria com ele. Tivemos também um jogador que encantou os vascaínos e até os adversários: Ipojucan. Não o conheci como pessoa, mas jogava como poucos.

Nosso estádio foi palco de inúmeros eventos e de grandes competições internacionais. O saudoso presidente Vargas, por exemplo, costumava reunir a juventude no estádio de São Januário.

É por essas e outras que me ufano de ser vascaíno.


 


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