www.semprevasco.com

Patrimônio

A Sede Social perdida

A Catedral da Grandeza do Vasco


Diminui o tamanho da fonte Aumenta o tamanho da fonte

Polyanthéa Vascaína
Corria o ano de 1926 e não parecia haver limites para o que o Vasco poderia fazer. Em junho a pedra fundamental de São Januário havia sido lançada e ia a pleno vapor a campanha para arrecadar fundos para o futuro Colosso de São Januário.

Porém o que a maioria dos vascaínos desconhece é que também estava nos planos da diretoria do Vasco na época a construção de uma sede social para substituir a já antiga sede de Santa Luzia. E no Vasco daqueles tempos não bastava fazer, era preciso fazer maior e melhor - e de longe - em comparação aos nossos rivais. Se as catedrais da Idade Média eram também uma peça de propaganda para glorificar o poder da cristandade, a futura sede social do Vasco seria um monumento para refletir a grandeza do Vasco.

Com esse ideal foi lançada a pedra fundamental da sede social vascaína, no dia 11 de julho de 1926, um mês após as obras em São Januário se iniciarem, portanto havia a esperança dos dois projetos serem encaminhados juntos. Compareceram a solenidade, além da diretoria vascaína, as mais altas autoridades da capital da república, seu prefeito e o presidente da CBD, a CBF de então, mas que englobava todos os esportes.

O terreno foi cedido pela prefeitura do Distrito Federal e ficava na Avenida das Nações (atual General Justos), na Ponta do Calabouço, próximo da Baía de Guanabara. A cessão de um terreno para fins náuticos era uma antiga reivindicação do Vasco e dos clubes de remo do Centro da cidade, já que os sucessivos aterros nos arredores e nas águas de onde partiam os barcos tornaram dificílima a vida dessas agremiações.  

O projeto consistia em cinco pavimentos. Nos quatro primeiros seriam instalados a secretaria, tesouraria, salão de bailes, gabinetes de leitura, salas para os esportes de salão, vestiários e mais de cem apartamentos para os sócios solteiros do clube. Na cobertura com vista panorâmica para a Baía de Guanabara haveria bares e área de lazer para os associados.

O custo estimado de tal grandiosidade não sairia barato: 5000 contos de réis. Se pensarmos que São Januário foi construído e inaugurado pelo valor de 2000 contos, teremos a exata noção do que se pretendia fazer em relação à futura sede social.   

Não se sabe o motivo, ou um conjunto deles, que levou o Vasco a abandonar esse projeto, que ao contrário de outros passados e futuros, estava muito bem encaminhado. Talvez São Januário tenha se tornado um fardo financeiro grande demais ou ainda o terreno tenha tido problemas burocráticos inerentes a sua condição, porém essa história merece ser contada, pois retrata o espírito vascaíno de então: não poderia haver clube maior que o Vasco.

Vejam nas fotos abaixo a planta e a solenidade de lançamento da pedra fundamental da construção.


  • Planta da Sede Social - Polyanthéa Vascaína
  • Solenidade da Pedra Fundamental - Polyanthéa Vascaína
  • Solenidade da Pedra Fundamental - Polyanthéa Vascaína
  • Lançamento da Pedra Fundamental - Revista da Semana
  • O prefeito do Distrito Federal assina a ata da cerimônia - Revista da Semana
  • Solenidade da Pedra Fundamental - Revista da Semana
  • O famoso escritor Coelho Neto discursa na cerimônia - Revista da Semana