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História

A Luso Brasilidade


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Revista do Vasco


Talvez não houvesse o Vasco, como o conhecemos hoje, se nas suas primeiras décadas o clube não tivesse sido carregado no colo pela comunidade lusa do Rio de Janeiro. Em uma época em que a receita do quadro social e as doações de seus simpatizantes eram o diferencial de um clube, o português se abnegou pelo Vasco.

Numa colônia portuguesa já numerosa e crescente devido aos fluxos migratórios vindos de um Portugal agrícola e sem emprego, o Vasco era algo familiar para essa gente cheia de coragem, capacidade de trabalho e ambiciosa por um futuro digno. Foram eles que se doaram para o Vasco.

Pelo português o Vasco foi criado, se tornou vitorioso no remo e quando o futebol alcançou popularidade, o clube era um verdadeiro instrumento de realização pessoal da colônia portuguesa. Pelo resultado no campo é que se avaliava a tranqüilidade do imigrante no dia seguinte em seu trabalho. Se perdia, a gozação pesada. Se ganhava a vida valeria a pena.

Era como hoje nas nossas relações com torcedores dos clubes rivais na escola ou no trabalho, só que multiplicado por cem, devido ao disfarçado preconceito contra o imigrante, e particularmente contra o imigrante português, que naqueles dias de Rio Antigo era enorme.

Por isso era preciso fazer o Vasco grande, fazer o Vasco o maior de todos, fazer tudo para o Vasco se afirmar. Nesse contexto foi erguido São Januário, foram feitos times fantásticos, porque as derrotas do Vasco doíam fundo na alma do lusitano que tomava o revés do clube como ofensa pessoal.

Posteriormente os filhos daqueles primeiros portugueses vascaínos se tornaram Vasco, seus empregados analfabetos e negros jogavam no clube, vieram os títulos e tudo isso somado as características democráticas e sem preconceito do Vasco fizeram a simbiose que o tornou popular e naturalmente brasileiro.

Firmou-se um elo permanente da luso-brasilidade e se completou a trindade dos legados portugueses ao Brasil: a língua, o mapa e o Vasco. Por tudo isso há uma bandeira de Portugal no alto de São Januário, tremulando para nos lembrarmos de toda gente, cuja maioria dos nomes não sabemos, mas que foram fundamentais na nossa história, suas memórias estão todas lá, presentes no preto e branco da foto e nos azulejos de São Januário.